Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Cancioneiro do Niassa

por António Tavares, em 13.03.17

Fado do desertor

(Cancioneiro do Niassa)

Reprodução de memória

 

Estava eu na minha terra

Disseram-me vais para a guerra

Toma lá uma espingarda

E um bilhete pró navio

E uma medalha num fio

E uma velha, velha farda

 

Após dias de caminho

Estava já muito magrinho

Esfomeado como um rato

Olhei e vi palmeiras

Macacos e bananeiras

Entendi, estava no mato

 

Veio depois o nosso cabo

Disse que eu era um bom nabo

Por à noite a Deus rezar

Para ele um bom magala

Vai à noite para a Sanzala

Para uma preta arranjar


O Furriel e o Sargento

Chamavam-me fedorento

Se me viam lavar

O Alferes e o Capitão

Diziam que era calão

Se me viam descansar

 

Estava já farto de guerra

Que ao lembrar a minha terra

Fui um dia passear

Numa palhota sozinha

Estava uma preta girinha

Que ao ver-me pôs-se a chorar

 

E dessa moça morena

Eu tive tanta pena

Que fugimos para o mato

Somos um casal feliz

E já temos um petiz

Que por sinal é mulato

 

A referência a “sanzala” sugere que este fado tenha sido escrito em Angola e depois transportado para Moçambique. Aqui o termo era “machamba”.

Esta realidade é verdadeira, porque muitos soldados desertaram mesmo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:17



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D