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GACA 2 - Torres Novas

por António Tavares, em 02.05.17

GACA 2 - Torres Novas

O quartel de Torres Novas era uma unidade de Artilharia: Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 2. Apresentei-me lá para integrar uma Companhia de Infantaria que aí seria formada para seguir para Moçambique.

Eu comandava um pelotão de cerca de 30 homens, a maioria oriundos da Ilha da Madeira. Tinha mais 3 Furriéis. O comandante era Capitão Miliciano.

Dada a escassez de oficiais do quadro para comandar as muitas operações em África, o exército recorreu aos milicianos, como eu, para comandar pelotões. Ao fim de 6 meses de instrução já era Aspirante e ao fim de mais 3 partia para África como Alferes. Os Alferes que queriam, pediam para continuar no exército. Faziam mais uns cursos de gestão operacional, passavam a tenente, formavam companhia e iam para África comandar uma companhia como Capitão. Voltavam de lá, 2 anos mais tarde e passavam a Majores. Ao fim de 6 anos eram Majores.

Ora os oficiais de quadro para atingirem esse posto passavam mais de 10 ou 12 anos.

Quer se queira quer não, este foi um dos factos que estiveram na génese da revolta dos militares que originou o 25 de Abril. O resto é política.

Lá iria eu encontrar em Moçambique o Cancioneiro do Niassa que rezava assim (reprodução de cor):

Um dia fui dar com Deus

Na taberna do Diabo

Entre cristãos e ateus

Fizeram de mim soldado

E eu sem querer fui embarcado

Levei armas e um galão

P’ro outro lado do mar

Quis levar o coração

Não mo deixaram levar

E eu sem querer ia matar

Deram-me uma cruz de guerra

Quando matei meu irmão

E a gente da minha terra

Promoveu-me a capitão

E eu sem querer fiquei papão

Todos me chamam herói

Ninguém me chama Manel

Quem quer uma cruz de guerra

Que eu já não vou p’ro quartel

Os madeirenses do meu pelotão revelavam alguma moleza que me aborrecia. Puxava por eles fisicamente, mas eles não respondiam. À sexta-feira de manhã fazíamos sempre uma marcha de muitos quilómetros, com a promessa de que, quanto mais depressa chegassem ao quartel, mais depressa iam de fim-de-semana. Acontece que eles, como não iam para a Madeira de fim-de-semana (ficavam sempre no quartel), não se importavam com as minhas ameaças.

Os jogadores profissionais de futebol já naquele tempo tinham alguns benefícios. Os mais influentes conseguiam não ser mobilizados para as colónias, para poderem jogar nos clubes aos domingos. Estava comigo em Torres Novas o Furriel Quinito do Belenenses e o guarda-redes Armando do Barreirense. Davam-me muitas vezes boleia para Lisboa. Mas vinham muito cedo à sexta-feira. Aí pelas 11 horas estavam de partida.

Numa certa sexta-feira apertei com os madeirenses e disse-lhes que tinha boleia para Lisboa e tinha que chegar cedo ao quartel. Não ligaram. Nesse dia perdi mesmo a boleia.

- Fizeram-me perder a boleia? Pois agora vamos repetir o mesmo percurso todo. Vão à velocidade que quiserem, pois só quando cá chegarem é que vos dispenso para ir de fim-de-semana.

E fomos. Fiquei para trás e deixei serem eles a orientarem-se. Um deles (o mais atrevido) assumiu a dianteira, puxou pelo grupo e demoraram menos 20 minutos no percurso todo.

- Estão a ver? Afinal fizeram mesmo ronha da primeira vez. Conseguiram na segunda vez, já cansados, demorar menos tempo. Vão agora almoçar e já que eu não vou de fim-de-semana nenhum de vós vai. Ficamos cá todos e vamos fazer aplicação militar para o rio, todo o fim-de-semana.

E fomos. Mergulhar no rio, chapinhar na água, correr todos molhados, fazer ginástica. Mesmo no Inverno. Ficaram tão meus amigos que tiraram fotos e à noite fomos todos beber cervejas e comer bolo de mel madeirense.

Quando íamos fazer patrulhas tinha por hábito levá-los para uns pinhais para os lados da Santa da Ladeira. Uma Santa que queria concorrer com Fátima, mas que a igreja católica nunca reconheceu. Mas criou um santuário, juntou um grupo de seguidores apóstolos e foi apadrinhada pela igreja ortodoxa.

Por vezes mandava-os deitar no pinhal e sornar. Eles levavam G3 mas sem balas. Apenas eu levava bala real. Deitado no mato no meio deles punha-me a fazer pontaria às pinhas. Assim passava o tempo e ao mesmo tempo dava sinal a quem (do quartel) nos andasse a espiar, que estávamos treinando.

No regresso mandava o pessoal formar em linha e atravessava-mos os terrenos da Santa da Ladeira em género de formação de combate.

Certo dia fomos para exercício de tiro em Santa Margarida. Quando íamos para lá já chovia. Mas ao chegar lá a chuva era tão forte que o capitão mandou os camiões de volta e disse-nos:

- Vão a pé e apareçam no quartel.

A chuva era abundante e o vento tão forte que na passagem pela ponte Golegã, sobre o Rio Tejo, tínhamos que nos agarrar às grades para não cair. Ao passar na Golegã e depois de me certificar que não eramos seguidos pelos nossos chefes mandei todo o pelotão entrar para a primeira tasca que apareceu. Era Inverno.

- Pessoal… quem quiser pode beber um bagaço para aquecer, pode beber. Quem não beber bagaço pode beber um copo de vinho ou de água. Eu pago.

A caminho de Torres Novas ainda vimos um camião carregado de fardos de palha tombado de lado. A chuva, tocada a vendo, entranhou-se na palha por um dos lados do camião, aumentou o peso daquele lado de tal modo que tombou. Sem consequências de maior.

Uma das missões do oficial de dia era conferir se as refeições dos militares eram elaboradas segundo as normas estabelecidas. Certo dia, estava de oficial de dia e fui com o furriel, meu ajudante, conferir a confecção do almoço. Era atum com batatas. Pedi ao sargento as normas para aquela refeição. X gramas de atum para cada soldado.

- Preparou almoço para quantos?

- Oitocentos e….

- Mostre-me as latas abertas.

Fiz contas e claro que faltava uma data de latas. Daquelas latas grandes de vários quilos cada.

- Pois fique sabendo que ninguém entra no refeitório enquanto você não me mostrar todas as latas que lhe compete abrir. E apareceram logo de seguida.

Mas aconteciam sempre coisas engraçadas. Numa das minhas visitas pelas cozinhas, enquanto se preparavam as refeições, o chefe de cozinha disse para um ajudante:

- Põe cebola dentro da panela que está ao lume para fazer a sopa.

O novato foi ao saco e apanhou várias mãos cheias de cebola desidratada e meteu-as na panela. Passado pouco tempo a cebola inchou de tal maneira, que era vê-la a sair da panela para fora. Ninguém lhe tinha explicado que era cebola desidratada e quanto se devia pôr na panela.

No dia 11 de Novembro (São Martinho) também estava de oficial de dia. Mandei o Furriel meu ajudante ficar no meu lugar porque ia sair em serviço. E saí. Saí de jeep com o soldado condutor de serviço e fomos beber água-pé à feira da Golegã. A minha tendência para correr riscos. De regresso já vínhamos alegres mas não passou disso.

A dada altura o comandante do quartel foi mudado. Veio um coronel muito alto, forte e com um vozeirão que metia medo.

Na sala de jantar dos oficiais havia uma fiada de cabides à entrada onde cada um pendurava a sua boina. O comandante e os seus adjuntos comiam numa mesa corrida, ao fundo. Nós os oficiais subalternos comíamos em mesas quadradas espalhadas pela sala. Durante o almoço era tal a algazarra que, para nos podermos ouvir tínhamos que elevar a voz. Mas a voz do comandante sobressaía por cima de todas as outras.

A certa altura alguém começa a fazer chiu… chiu… e fazer sinais para irmos baixando a voz. Todas a gente se calou. Só o comandante continuava a falar com aquele vozeirão. Percebeu o toque e daí em diante passou a falar muito mais baixo.

Certa vez o comandante teve que sair mais cedo da sala de jantar e não encontrou a sua boina nos cabides. Chamou o corneteiro e disse-lhe

- Faz o toque a reunir para oficiais.

- Não conheço esse toque.

- Então faz o toque alarme!

Tocou. Mas como ninguém estava à espera de tal coisa, ninguém fez nada de especial, estava todo o pessoal a andar de um lado para o outro sem saber o que fazer.

Começou aos gritos. Queria todo o pessoal do quartel reunido na parada em formação. Os oficiais na frente. Ao passar revista aos oficiais descobre um alferes com a boina que lhe parecia a sua.

- Porque é que tens a minha boina?

- Ó meu Coronel, não reparei. Estou de oficial de dia e chamaram-me à portaria. Saí e peguei na boina que me pareceu ser a minha. Peço desculpa.

Subiu para o palanque e disse ao microfone:

- De hoje em diante vamos passar a fazer exercícios de simulação com regularidade e a horas incertas. Sempre que eu entender o corneteiro fará os toques que eu entender e quero resposta pronta de a cordo com as normas estabelecidas. Que cada um cumpra as tarefas que tem atribuídas.

Daí em diante, às horas mais estapafúrdias, o corneteiro tocava o que lhe era indicado. O normal era ser o alerta geral. E nessa altura todo o pessoal tinha que simular que o quartel estava a ser atacado. Era pegar nas espingardas e cada um seguia para o seu posto de defesa. As metralhadoras e os canhões antiaéreos eram tirados dos seus abrigos e vinham para a parada ou para os seus lugares de fazer fogo e perscrutar aviões no céu. Na primeira vez ninguém sabia mexer neles. Muitos nem funcionavam. Foram dadas instruções para que fossem oleados e calibrados. Tinham que estar prontas a responder em caso de ataque.

Por fim aquilo já era uma brincadeira…

Hoje o quartel de Torres Novas é o Centro de Instrução da Polícia.

T Novas 1.jpg

O nosso pelotão. Destemidos para ir "ganhar a guerra".

T Novas 2.jpg

Aplicação militar no rio Almonda.

 

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publicado às 14:20

A PIDE em Mafra, a neve na Serra das Meadas e a filha do chefe da estação dos comboios de Lamego

por António Tavares, em 28.04.17

A PIDE em Mafra, a neve na Serra das Meadas e a filha do chefe da estação dos comboios de Lamego

Após a morte dos cadetes a recruta passou a desenrolar-se de forma menos custosa. Exercícios mais leves uns, anulados outros. Menos castigos. Deixamos de ter medo de refilar se tal se mostrasse necessário. A EPI (Escola Prática de Infantaria) estava cheia de pides. Vigiavam qualquer movimento suspeito.

Já no final de Junho, perto do fim da recruta, foram-nos dados diversos temas para cada um de nós elaborar um texto sobre um deles à nossa escolha. Não me lembro de nenhum especial, mas era tipo: a pátria e a família, as províncias ultramarinas, os militares na promoção da sociedade… Claro que era uma armadilha!

Lembro-me de escrever sobre nenhum deles. Sobre o que me veio à cabeça, ainda no rescaldo da morte dos colegas cadetes. Chamei nomes aos militares chicos, que só queriam poder, que só sabiam explorar a miséria humana, que só queriam mandar, etc.

Onde eu me fui meter. No dia seguinte veio ter comigo o alferes e disse-me:

- Sabes o que fizeste? Vou ser teu amigo. Vou rasgar a tua dissertação. Finjo que não a li. Escreves outra com calma, sem dizer disparates e eu substituo-a.

- Não, está escrito, está escrito!

- Estás por tua conta. Ainda vais a tempo. Se não quiseres vou levar isto ao nosso comandante de companhia (Capitão Ferro), porque isto ultrapassa as minhas competências de punição.

O Capitão Ferro disse-me mais ou menos as mesmas coisas. Que eu tinha que ser castigado. Que passava já a soldado raso e que arruinava o resto da minha vida. Mas que também ele não podia decidir. Ia enviar o meu processo para o comandante da unidade.

Uns dias depois sou convocado para me apresentar ao Capitão Lisboa. Soube depois que era o oficial de ligação com a PIDE. As perguntas que me fez eram do género:

- És comunista?

- Não sei o que isso é.

- O teu pai ou alguns dos teus irmãos tem ligação com o Partido Comunista?

- Não sei.

- Estás tramado!

A conversa não passou muito destes temas.

Passados mais uns dias, estava eu a regressar de mais uma manhã de instrução, todo sujo e fui intimado a apresentar-me na sala oval ao comandante do quartel. Nem me deixaram lavar nem almoçar.

Nunca ali tinha entrado. Nem sabia que o quartel tinha uma sala daquelas. Estava até com receio de sujar os mármores do chão com as botas que trazia calçadas. A sala oval era a antiga sala do capítulo dos fardes. Era agora o gabinete do comandante. Uma sala enorme, mármores de várias cores no chão fazendo floreados. Mármores nas paredes, tecto em abóbada, lustres…

Atravessei a sala em direcção à grande mesa de carvalho que, junto de uma parede, servia de secretária. Fiz continência e fiquei aprumado de pé em frente àquela personagem que não conhecia. Era o segundo comandante, coronel Vaz Antunes. Sem lhe dizer nada apenas me disse:

- Estás com sorte. O nosso comandante está para Lisboa. Coube-me a mim receber-te. Eu percebo-te. Tenho filhos da tua idade. Também andam lá pelas faculdades a ouvir essas ideias malucas. Mas olha: vou ser teu amigo. Guardo comigo o que escreveste. Estás aqui indicado para seguir para Lamego para as Operações Especiais, mas não vais. Vais ficar aqui comigo a tirar a especialidade de atirador. Mas fica sabendo: se nos próximos 3 meses meteres o pé na argola, apanhas pelas 2. Podes ir.

Estive quase a ajoelhar-me e beijar-lhe os pés. Para Lamego era para onde ninguém queria ir. Era longe e a instrução era altamente rigorosa. A mania que eu tinha de ser voluntarioso, o primeiro a chegar e a ser o melhor nas provas físicas, deu-me notas altas na vertente de aplicação militar. Se não fosse aquela redacção lá teria ido para a Lamego.

Juramos bandeira e nos três meses seguintes (Julho a Setembro) fiquei em Mafra. Acabada a especialidade fui promovido a Aspirante. Era o primeiro posto de Oficial Miliciano do Exército.

Fomos de férias. E recebi logo instruções para me apresentar no GACA 2 de Torres Novas no início de Outubro. Ia formar companhia para seguir para Moçambique. Enquanto iam chegando os soldados para nós formamos recebi um passaporte para me apresentar nos primeiros dias de Novembro em Lamego. Afinal sempre ia parar a Lamego. Só que agora já era oficial e era apenas por um mês. Fui fazer um tirocínio de um mês em operações especiais e manuseamento de explosivos.

E logo em Dezembro! Lembro-me de ir às 7 da manhã fazer aplicação militar para o campo de futebol com meio metro de neve e nós de calção de ginástica e de T Shirt.

Certa noite fomos fazer um percurso nocturno pela Serra das Meadas. Nevava. Visibilidade zero. Levava 3 pares de meias, 2 pares de calças, 2 camisas, e gorros, sei lá que mais. Mas ia gelado. Em fila indiana íamos seguindo os passos uns dos outros. A dada altura paramos. Sentei-me numa pedra na beira do caminho e adormeci. Sem darem por mim seguiram caminho. Mais adiante diz o que ia na frente:

- Contagem.

E começa: 1, o segundo diz: 2 e assim sucessivamente. No final:

- Falta 1. Vamos regressar pelo mesmo caminho…

Quando chegaram ao pé de mim estava tão enregelado que não me consegui por de pé. Tive que ser ajudado.

Ao menos em Lamego havia umas tascas, mesmo ao lado da messe de oficiais, onde se comiam boas sandes de presunto.

Como não podia ir até Lisboa aos fins-de semana, fiquei por ali o tempo todo. Jogávamos ao King e passeava.

Lamego é uma cidade antiga, já com alguma dimensão e poder sobre as terras vizinhas. Sede de bispado com muita influência. Foi com naturalidade que foi autorizada a construção do caminho-de-ferro da Régua para Lamego. Iniciada nos anos de 20 do século passado, acabou por morrer com a crise dos anos 30. Fizeram-se pontes e viadutos. As pontes têm uma dimensão grandiosa e bastante beleza. A ponte sobre o Douro foi convertida para o percurso automóvel nos anos 40. Ao lado desta a ponte metálica da EN2. Foi abandonada muitos anos. Recentemente foi reconvertida para ponte pedonal. A ponte sobre o rio Varosa é utilizada pelos militares de lamego para exercícios de rapel. Em linha recta não são mais que 5 ou 6 quilómetros. Pela via aberta deviam ser mais de 20, tantas eram as curvas de ir e vir pelas encostas, para superior o desnível entre as duas povoações (hoje cidades).

Um domingo fui sozinho a pé até ao Peso da Régua, cerca de 8 quilómetros, pela EN2. Na volta subi pelo percurso construído para a instalar a via-férrea. Era mais longo mas mais interessante, atravessava pontes, hortas e vinhas. Nunca chegou a levar os carris.

O maior desaforo que ainda hoje se pode lançar a um habitante de Lamego é chegar à cidade e perguntar onde mora a filha do chefe da estação. Tiverem estação mas nunca o comboio nem chefe da estação.

Passado o mês de tirocínio recebo guia de marcha para me apresentar no Quartel de Torres Novas. Fora mobilizado para Moçambique e ia formar companhia no GACA 2 (Grupo de Artilharia conta Aeronaves).

Saí de Lamego dia 17 de Dezembro de 1971. Fazia 21 anos. O passaporte dava para bilhete de primeira classe (porque era oficial) até Torres Novas. Era sexta-feira e tinha que estar em Torres-Novas na segunda-feira. Consegui na CP trocar a primeira pela segunda classe e arranjei bilhete até Queluz. Ainda consegui vir a casa passar o domingo.

Na segunda-feira seguinte recomecei a minha vida militar em Torres novas.

Messe de Lamego.jpg

A messe de oficiais de Lamego, numa foto muito antiga encontrada na net.

Pontes de Lamego.jpg

 As pontes da linha de caminho-de-ferro entre Peso da Régua e Lamego, que nunca chegou a levar carris. Esta última é usada pelos militares de Lamego para exercícios de rapel.

 

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publicado às 12:19


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