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Quem somos. Em www.promagala.pt

por António Tavares, em 11.09.17

Quem somos

(do site www.promagala.pt)

A Promagala é herdeira da ancestral tradição de venda de artigos militares na Feira da Ladra em Lisboa.

Velha de séculos, a Feira da Ladra sempre foi conhecida pela venda de toda a espécie de bugigangas, quinquilharias, velharias e artigos militares.

O ponto alto da venda de artigos militares aconteceu durante a guerra colonial, devido ao elevado número de efectivos das forças armadas.

Era na Feira da Ladra que os soldados vinham vender os restos de fardamentos que lhes tinham sobrado após a passagem à disponibilidade e era também lá que procuravam uma ou outra peça, mesmo velha, que lhes faltava para efectuar o espólio.

Era também na Feira da Ladra que acabavam por ser vendidos muitos dos velhos artigos de fardamento vendidos nos leilões do exército, após serem reciclados e reaproveitados, tornando-se úteis para os operários e para os trabalhadores agrícolas.

As calças e os casacos eram cosidos por diversas mulheres em diversos becos e vielas de Alfama e São Vicente de Fora. Nos mesmos becos e vielas alguns operários remendavam as velhas botas com meias solas elaboradas de velhos pneus e estas partiam depois, ensacadas, de comboio, para terem uso em diversas regiões do país.

À zona da Feira da Ladra veio parar, nos longínquos anos 50 do século 20, o Sr Gervásio, sapateiro, oriundo da Roussada, Milharado, Mafra.

Aqui arranjou emprego num sapateiro com banca na entrada do prédio nº 5 da Rua de Santa Marinha. Com a reforma do patrão tomou a seu cargo a respectiva banca. Nessa banca começou a remendar as primeiras botas da tropa.

Como as vendas iam crescendo foram sendo admitidos como empregados outros sapateiros, chegando a ser mais de 20, ocupando armazéns desde o Beco do Maldonado ao Beco dos Lóios.

Na Rua de Santa Marinha acabou o Sr Gervásio por conhecer a D Palmira, oriunda da Coelhosa, Alvares, Góis, perto da Pampilhosa da Serra, zona de onde é originária a maioria da população desta zona de Lisboa e resolvem constituir família.

A D Palmira acaba por ir vender roupa usada para a Feira da Ladra, juntamente com outros familiares. Daí a vender roupa da tropa foi um passo.

Surgem entretanto problemas e o Sr Gervásio não encontra no mercado material para trabalhar. Chega a criar modelos de calçado próprios mas a sua produção e escoamento para o mercado vão sendo cada vez mais difíceis.

As dificuldades aumentam com o 25 de Abil de 1974. Os empregados vão sendo reduzidos até que se vai embora o último e o Sr Gervásio e a D Palmira acabam por ir vender fardamento e botas militares para as Feiras à volta de Lisboa: Malveira, Odivelas, Brandoa e claro, na Feira da Ladra.

Com o tempo as feiras fora de Lisboa são deixadas e ficam apenas com a venda na Feira da Ladra.

Entretanto em 1952 nascia a única filha deste simpático e trabalhador casal a Fernandinha.

Por caprichos do destino a Fernanda vem a corresponder-se com o António entretanto em serviço militar em Moçambique.

O António é Alferes Miliciano, oriundo de Cardigos, Mação. Depois da quarta classe ingressa no seminário em Coimbra, passa por Fátima até que em 1968 abandona os padres e ruma a Lisboa.

Finda a guerra colonial o António regressa ao seu emprego de Despachante na Alfândega de Lisboa. Casam em 1975. O Bruno nasce em 1977 e o Tiago em 1985.

O António percorre sucessivamente empregos nos TLP, na PT e na Marconi.

Coincide em 2000 o facto de a Marconi ser integrada na PT e o Sr Gervásio se sentir cansado para continuar com a venda na sua banca da Feira da Ladra.

O António pede a reforma antecipada na Marconi e vai acompanhar a esposa na venda de artigos militares na Feira da Ladra.

Aos poucos alargam o negócio para a venda de Botas e Fardamentos para actividades específicas: Empresas de Segurança, Desportos de Aventura, Caça, etc.

Em 2006 passam o negócio a empresa e nasce a Promagala, Lda, tendo como sócios os 4 membros da família.

Em 2007 abrem a sua primeira loja em Lisboa.

No final de 2007 criam a sua própria página na internet.

Eis-nos ............

Promagala.jpg

 

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publicado às 15:52

Despachante na Alfândega

por António Tavares, em 07.03.17

Despchante na Alfândega

Ser ajudante de despachante alfandegário era, na altura, dos empregos mais bem remunerados, para além da sensação de liberdade.

O despachante oficial era na prática o intermediário entre os importadores (ou exportadores) e o estado. Eles faziam a vistoria à mercadoria, calculavam os diretos e impostos a pagar ao estado, tratavam da documentação e da entrega da mercadoria ao dono ou da sua saída do país. Era uma classe muito fechada e que se auto protegia. Só podiam entrar para despachantes quem já tivesse alguns (muitos) anos de ajudante de despachante. E mesmo assim eram sujeitos a provas rígidas. E mesmo assim era preciso que a Direção Geral das Alfândegas abrisse concurso para isso. Na prática os grandes escritórios de despachantes (alguns com mais de 100 empregados) dominavam até a nomeação de novos despachantes, para manterem a sua posição dominante.

Normalmente os despachantes grandes (como o caso do meu patrão – tinha 85 empregados) tinham ajudantes especializados em cada tipo de transação: importação via marítima, via aérea, exportação, encomendas postais, combustíveis, etc. Eu estive quase sempre nas importações avulsas no Jardim do Tabaco, Alcântara, Xabregas os nas encomendas postais, na Rua da Palma.

Não havia computadores. Os despachos aduaneiros eram tratados em folhas de papel grosso, para aí com 40 por 60 cm, dobradas ao meio. Neste papel eram colados todos os documentos respeitantes à mercadoria. Qualquer pedido para alterar alguma coisa, prolongar prazos, ressalvar qualquer lapso, pedir nomeação de verificadores, etc. era exarado de forma sequencial no despacho e só podia ser assinado pelo próprio despachante oficial.

Mas estavam permanentemente na rua dezenas de ajudantes em várias partes de Lisboa. Era impraticável que sempre que fosse necessário uma rúbrica ele se deslocasse ao sítio ou que o despacho fosse levado ao escritório para ele assinar. A solução: criar uma rúbrica que todos soubessem imitar. E todos os ajudantes assinavam com a rúbrica do sr despachante.

E toda a gente sabia disso. Incluindo os próprios funcionários aduaneiros. Às vezes viam-nos escrever um pedido, sair da sala e voltar em menos de um minuto. Perguntavam:

- Já foste ai escritório para o patrão assinar?

- Não, fui só ali fora. Ele estava ali dentro do carro.

O mesmo acontecia quando o patrão estava de férias. Oficialmente para se ausentar ele teria que pedir primeiro na Alfândega para um dos seus ajudantes o substituir.

Mas ninguém levantava ondas. Os donos das mercadorias queriam era vê-las desalfandegadas mesmo que isso lhes custasse um pouco mais. Então era usual nós darmos 5$00 por cada intervenção de cada funcionário em cada despacho. Havia por exemplo um cuja missão era numerar os despachos. Com um carimbo de metal redondo a que regulava a data, com um cabo alto de madeira de onde saía um botão que ao ser pressionado mudava o número, ia molhando numa almofada e pumba… pumba… pumba… ia martelando em todas as páginas e documentos do despacho, pondo em todas o mesmo número. Esse funcionário ia anotando num cartão que tinha no bolso com riscos, o número de despachos que foi numerando de cada um dos despachantes. No fim do dia vinha ter connosco: foram 8. Lá iam 40$00. E muitas vezes deixavam amontoar de propósito, os despachos a numerar.

- ò sr Joaquim tenho aí um despacho há já algum tempo. Tenho muita pressa.

É que passar um despacho do fundo do monte para o cimo contava a dobrar, eram 10$00.

E cada despacho passava por mais de meia dúzia de funcionários, cada um com a sua missão específica.

Entravamos no escritório do Campo das Cebolas às nove horas. Se havia tarefas a fazer, fazíamos. Normalmente já tinha-mos os despachos para esse dia prontos de véspera. Levantávamos o dinheiro necessário na caixa e aí vamos nós, Lisboa fora. A maior parte dos dias nem vínhamos à hora de almoço.

No fim do dia nós fazíamos a conta a todo o dinheiro gasto. Juntávamos as nossas despesas de transporte e outras. Arredondávamos com uns pozinhos para nós e entregávamos os documentos de despesa.

Naquele tempo quase não havia contentores. As mercadorias vinham a granel amontoadas dentro dos porões dos navios. Uma das mercadorias que despachei dezenas de vezes foi amianto. Vinha em sacos às costas dos estivadores do navio para o armazém e eu tinha que estar ao pé deles para ir contando os sacos entrados.

No fim do dia andávamos a passear por cima de pó de amianto. E tínhamos que o varrer.

Por vezes as mercadorias eram especiais e nós pedíamos uma “descarga direta”. As caixas eram descarregadas diretamente para os meios de transporte e seguiam, acompanhadas com um Guarda Fiscal, para casa do cliente. Nós íamos depois às instalações do cliente fazer o “exame prévio”, verificar se estava tudo certo conforme a fatura. Com o despacho pronto tínhamos que levar lá o verificador aduaneiro.

Era assim com as caixas com peças para a Renault na Guarda onde eram montados os R6. Às vezes eram dezenas de vagões carregados. Ou postes para rede elétrica, dada a sua dimensão. Ou a montagem da fábrica completa de produção de gás de cidade, na zona da Matinha (hoje desativada).

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publicado às 10:00


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